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MBA: Gestão, opção para crescer

Enquanto esse quadro de carência persistir, quem vai seguir se destacando são os cursos de pós-graduação em gestão, especialmente os de lato sensu – especializações, que também ganham o nome de Master of Business Administration (MBA) – que abordam fundamentos puros ou aplicados a áreas das mais variadas.
A realidade do trabalho também mudou, só não vê quem não quer. O diretor da Escola de Negócios da Universidade Positivo, Renato Casagrande, explica que para profissionais liberais o conhecimento gerencial é importante. Ou seja, é fundamental saber sobre marketing, equacionar custos e gerir pessoas com eficácia. “Antigamente, só competência técnica garantia o sucesso. Hoje, pela competitividade em todas as áreas, é imprescindível ter conhecimentos gerenciais, por isso as pessoas têm voltado a estudar”, diz ele, citando que há um movimento em torno do ensino de gestão principalmente nas pós-graduações. Apesar de ter uma carga horária menor do que a graduação, em torno de 360 horas, as pós-graduações atualizam conteúdos, informam tendências, o que deve ser feito periodicamente por profissionais, em intervalos de cinco anos.
Devido ao empreendedorismo – assim como a gestão – não ter espaço nesses cursos e a demanda pela abertura de negócios ocorrer naturalmente em diversas áreas, a professora do Centro Universitário UniFae na disciplina de Empreendedorismo, Gislene Durski, comenta que se torna cada vez mais importante o aluno saber como transformar sua idéia em oportunidade de negócio e, depois, em plano de negócios. Mesmo dentro de uma empresa, como funcionário, o profissional pode e deve ser empreendedor. “É viável nesse tipo de posição, pois empreender nada mais é do que imaginar algo, planejá-lo e colocá-lo em prática, indo do sonho ao projeto.”

Criação
A arquiteta Marcia Fujimoto, sócia na empresa Arquitetare – Elaine Zanon e Cláudia Machado Arquitetos Associados, onde trabalha há oito anos, está há três meses cursando um MBA Executivo em Gestão de Empresas de Criação. Formada há 16 anos, ela diz que recebeu formação técnica, mas o conhecimento gerencial teve de assimilar ao longo dos anos. “Não havia disciplina sobre como administrar um negócio e, como é comum se formar e montar um escritório, até mesmo os mais talentosos não podem seguir em frente.”
Marcia, que sempre se dedicou a área técnica, pensou em ampliar sua visão e ver a arquitetura desde o ponto de vista de negócio, conhecendo mais sobre marketing, administração, planejamento, financeiro e gestão de pessoas. “Coordeno alguns profissionais e, neste sentido, estou aprendendo muito sobre como agregá-los em torno de um objetivo e obter comprometimento”, conta Marcia, que aponta ainda outro benefício das aulas, a participação de alunos mais experientes na área administrativa, com discussão de cases reais e troca de experiências.
Em todos os setores em que o profissional tem como horizonte a abertura de um escritório ou oferecimento de um serviço autônomo existe a demanda por esse tipo de conhecimento, como na área de saúde, considerada pela professora Gisele como um setor que ultimamente se rendeu aos conceitos de gestão. “Hoje, ou o médico se aperfeiçoa ou contrata um administrador. Além disso, os hospitais são cobrados pelo governo federal para serem acreditados, por isso devem haver competência administrativa.”
A busca por esse aprimoramento decreta a morte do gestor intuitivo, faz questão de frisar Tânia Furtado, que coordena o MBA Executivo em Saúde do ISAE/FGV. Está sumindo aquele administrador ao qual “normalmente falta a liderança, conhecimento sobre a economia da saúde, o custo das coisas, quais os modelos de custeio mais indicados e os modos de auditoria que devem ser aplicados.” Tânia considera que não apenas hospitais, mas laboratórios de patologia e secretarias de saúde, sejam órgãos públicos ou privados, querem “resolutividade para o negócio”.
“Fisioterapeutas, nutricionistas, enfermeiros e bioquímicos farmacêuticos procuram conhecer gestão. Quando se formam vão abrir suas clínicas, montar suas farmácias, vão atender a restaurantes ou se estruturar para fazer atendimentos home care (em casa)”, diz Tânia.

Negociar
O otorrinolaringologista Erton Coifman, de 55 anos, cursou o MBA Executivo em Saúde e diz que, ao sair da residência, o médico passa apuros: “descobre que tem o produto, mas não entende de negócios e acaba na mão de terceiros.” Coifman, que tem um consultório particular, aprendeu a ponderar o tempo dedicado ao atendimento, avaliar os benefícios da compra de aparelhos e a identificar as propostas que vinham de representantes de laboratórios e de convênios.
Coifman aponta que o médico erra ao levar o idealismo na hora de negociar. Quando não está consultando, é este o papel que desempenha. “Seja um contrato de trabalho, com laboratórios, com empresas da área e profissionais que trabalham em parceria como fisioterapeutas, nutricionistas e fonoaudiólogos.”

MBA’s e o Mercado de Trabalho

Tornou-se importante hoje em dia a atualização dos conhecimentos adquiridos na faculdade. A rapidez com que surgem novas técnicas, novas teorias administrativas e a própria transformação dos processos gerenciais impõe a retomada periódica dos estudos.
O curso universitário já constituiu o grande diferencial para quem ingressava no mercado de trabalho. A quase inexistência de cursos de formação técnica de qualidade estabelecia a universidade como única opção após o secundário.
O status diferenciado conferido pela posse de um título universitário nas empresas e na sociedade e a perspectiva de melhores salários faziam dela um passaporte necessário para o ingresso na vida profissional.
A concorrência pelas melhores posições e pelos cargos melhor remunerados nas diferentes empresas era, então, baseada na obtenção de um diploma universitário, de preferência de uma escola bem conceituada e no curriculum escolar do diplomado.

Tal situação mudou drasticamente ao longo das duas últimas décadas. Dois principais fatores foram os responsáveis por essa mudança.

De um lado a enorme proliferação de cursos universitários das mais diversas especialidades, com padrões de qualidade de ensino muitas vezes aquém do mínimo requerido. De outro lado, o crescimento das exigências por parte das empresas, envolvidas em processos de reengenharia e redução dos quadros profissionais.

As fases de recessão ou de baixo crescimento da economia ocasionando desemprego também contribuíram para um excesso de oferta de bacharéis no mercado de trabalho.

O Ministério da Educação (MEC) informa que o número de formados em cursos universitários não pára de crescer. O censo mais recente aponta 98,3 mil diplomados em 1998, só no Estado de São Paulo. Essa estatística só considera os alunos da rede particular.

É natural, a partir de dados como esse, a conclusão de que a competitividade no mercado de trabalho tenha se deslocado para um nível acima do bacharelado.

A seleção que se fazia entre os possuidores de um diploma universitário, passou para os detentores de títulos de pós-graduação. Tanto os cursos de pós graduação stricto sensu (mestrado, doutorado) quanto os lato sensu (especializações e cursos de extensão) são cada vez mais procurados não só pelos recém formados mas também por quem já conta com vários anos de experiência profissional.

Hoje, por conta das atividades profissionais e compromissos com os apertados horários das empresas, existe uma maior demanda pelos cursos do tipo lato sensu.

Uma especialização ou curso de pós-graduação lato sensu, além de um enfoque mais pragmático em comparação com os mestrados não-profissionalizantes, costuma ter uma duração máxima de dois anos e horários menos conflitantes com o exercício de uma atividade profissional.

Nas áreas de Economia e Administração de empresas surgem os MBA’s (Master in Business Administration) título emprestado das instituições universitárias norte-americanas.

Nos EUA correspondem a um mestrado em administração de empresas mais focado na prática administrativa e com diferentes especialidades. Entre nós, o curso MBA constitui uma alternativa de pós-graduação lato sensu ou especialização, sem equivalência com o mestrado e de menor duração, mais focada na prática gerencial.

A oferta de tais cursos está aumentando enormemente e apresenta as mesmas desigualdades em termos de qualidade que os cursos universitários tradicionais. A escolha deve ser feita em função do padrão de ensino e reconhecimento da escola que os oferece, corpo docente, ementa proposta e referências de ex-alunos.

Aqueles de boa qualidade e referendados por escolas de alto padrão de ensino apresentam-se como uma boa opção para os profissionais que procuram a pós-graduação. E não é à toa que vêm sendo tão procurados.

As motivações para fazê-los são muitas: Em primeiro lugar a busca do aprimoramento profissional para um melhor posicionamento diante do mercado de trabalho. Complementando esse aprimoramento está a reconstrução dos conhecimentos e a atualização das técnicas de gestão para aqueles que já se formaram há mais tempo.

Bacharéis das mais diversas formações universitárias trabalham hoje em áreas administrativas sem formação específica. É natural que busquem uma formalização dos conhecimentos adquiridos na prática e novos instrumentos a serem utilizados em seu trabalho. Até mesmo obter uma titulação mais condizente com a atividade que passaram a exercer pode ser um motivo para a especialização.

Outro bom motivo é a busca por informação selecionada. A quantidade de informações com que somos bombardeados hoje em dia, principalmente no campo profissional é desnorteadora. O que ler, o que priorizar como novo conhecimento a ser adquirido? Delegar essa seleção a uma escola competente reduz o “stress” e assegura um melhor resultado.

Finalmente, o próprio ambiente desses cursos, onde profissionais das mais diferentes áreas e empresas convivem num clima de troca de conhecimentos e informações, amplia o horizonte profissional e cria, por si, novas oportunidades.

Alguém poderá argumentar que os cursos tipo MBA oferecidos, em sua maioria pelas escolas particulares são cursos caros e que não estão ao alcance de todos os bolsos. É verdade, mas devem ser encarados como um investimento. E sempre existe a possibilidade de negociação com o empregador para custeio da totalidade ou de parte do curso.

Quem tem como objetivo maior eficácia profissional associada a uma redução da folha de salários deve preocupar-se com o aperfeiçoamento de seus funcionários. É natural que os funcionários remanescentes após um processo de reengenharia, dos quais comumente se passa a exigir mais, sejam dotados de técnicas e ferramentas que otimizem sua performance.

As empresas precisam se conscientizar de que investir no aprimoramento de seu pessoal é imediatamente vantajoso em termos de uma melhora do desempenho. Esse incentivo ao aprimoramento cria uma maior vinculação do profissional ao empregador, além de ser uma forma de remuneração valorizada e não sujeita aos ônus trabalhistas.

Artigo por Carlos Alberto Alvim de Azevedo
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Especialização e MBA: ‘Lato sensu’ é opção rápida

Um MBA é um curso que para ser bem aproveitado exige dinheiro, experiência prévia e dedicação. Para os que não atendem aos critérios, uma especialização pode ser a alternativa.