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O caminho das pedras para o sucesso nas multinacionais

Com perseverança e investimento em formação, funcionários que começam no baixo escalão galgam posições até chegar a cargos executivos de empresas estrangeiras

Grandes oportunidades de crescimento profissional, possibilidade de construir uma carreira internacional e salários acima da média são alguns dos atrativos das empresas multinacionais Há histórias de gente que começou no nível mais baixo e, com esforço próprio e investimento da companhia, cresceu profissionalmente e hoje ocupa cargos executivos. Mas, é claro, foi preciso ultrapassar inúmeras dificuldades, entre elas a impessoalidade no ambiente corporativo, devido ao tamanho da organização, e as pressões da matriz.

Iris Barbosa começou a trabalhar em uma lanchonete do McDonald’s aos 16 anos, como atendente, em São Paulo. Hoje, 24 anos depois, ela é diretora da Universidade do Hambúrguer para a América Latina, instituição que oferece cursos e treinamentos para os funcionários da rede. “Estava concluindo o ensino médio e queria trabalhar, ganhar o meu dinheiro, e um amigo meu da escola falou que trabalhava no McDonald’s e que era legal. Achei estranho porque era uma lanchonete, mas eles aceitavam pessoas sem experiência e não conseguia outro emprego porque todo mundo pedia experiência”, lembra.

Com o tempo, Iris foi ganhando promoção atrás de promoção e chegou ao cargo de gerente de restaurante, aos 21 anos, quando precisava treinar futuros franqueados e outros funcionários. Quando o McDonald’s Brasil criou um departamento de treinamento, conta, ela foi chamada para ser consultora. Agora, aos 40, ela é responsável pelo desenvolvimento profissional dos funcionários de 1,6 mil restaurantes em 18 países. “São desafios muito grandes, por causa da diversidade das línguas e das culturas”, acrescenta. Desafios para os quais ela se preparou ao longo de sua carreira, com uma graduação em economia, outra em pedagogia e mais um MBA pela Fundação Getúlio Vargas (esse custeado pela empresa), além de vários cursos no país e no exterior.

Uma história parecida é de Selma Moreira, também de São Paulo. Ela começou como empacotadora dos supermercados Wal-Mart, quando tinha 15 anos, pelos mesmos motivos que levaram Iris ao McDonald’s. “Queria comprar minhas coisas, um tênis legal, mas minha família tem uma origem muito humilde e não podia me dar tudo”, explica. Ao aproveitar as oportunidades e se qualificar com uma graduação em administração de empresas, uma especialização em relações públicas e um MBA em empreendedorismo social, ela chegou ao cargo de coordenadora de responsabilidade social do Wal-Mart Brasil, com 26 anos de idade. “Tem que ter muita motivação, tem que se desenvolver para conquistar as oportunidades.”

Selma diz que, de vez em quando, observava funcionários de fora do país na loja onde trabalhava, falando inglês, e ela queria participar daquilo, entender o que eles falavam. Procurou então um curso de inglês e pagou com seu próprio salário. Promovida para caixa, participou de recrutamentos internos para ir para a área administrativa, mas não conseguiu de primeira. “Fui ao RH perguntar por que eu nunca era selecionada e eles me falaram que era preciso ter ensino superior, pelo menos cursando”, conta. Lá foi ela seguir a receita e pronto: quando estava na faculdade, entrou para o setor jurídico, onde ficou por cinco anos. “Nesse período conheci outras áreas e me apaixonei por responsabilidade social, que não quero parar nunca de fazer.” Depois foi para o Canadá, onde ficou por dois meses para aperfeiçoar o inglês. Selma gosta de dizer que sua carreira deslanchou por ela ter investido em si mesma e também porque a empresa ofereceu meios para o desenvolvimento pessoal.

Oportunidades

Para o consultor Alex Gelinski, diretor da Chess Human Resources, o profissional que estuda bem o perfil da multinacional tem grandes chances de conseguir fazer uma boa carreira. “Na multinacional, um profissional pode galgar posições, enquanto alguém que tem uma carreira mais desenvolvida pode subir mais rápido em uma empresa de médio porte, mas a responsabilidade é maior”, explica. Uma vantagem na multinacional é que, em geral, o salário é maior, segundo Gelinski.

As oportunidades, diz ele, são normais em grandes corporações. “Normalmente há uma grande massa de contratações na implantação (como em qualquer empresa) e posteriormente isto tudo ocorre normalmente.” Uma coisa é certa, diz Gelinski: quem quer fazer uma carreira internacional pode encontrar um caminho mais fácil nas empresas estrangeiras.

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