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Eu preciso de um MBA?

Por um lado o MBA é um investimento, um ativo, algo que ninguém lhe tirará nunca mais. Por outro, ele não necessariamente o difere dos que não o tem.

Meu pai era uma figuraça. Tinha um gênio bastante complicado e adorava meter os pés pelas mãos. Na década de 90 ele acabou largando a diretoria de uma grande empresa do sul do país para abrir a sua própria empresa de consultoria. Viveu de palestras durante os anos que se sucederam, e por sinal teve bastante êxito. Mas me lembro claramente de uma vez em que, ao ser convidado para participar de um grande evento nacional de RH, foi de certa forma desdenhado porque não tinha formação específica. Ele não teve dúvida. No próximo evento, lá estava o nobre palestrante exibindo o título de “Master in Business Administration” pela Kellogg School of Management, Northwestern University. Sim, ele mentiu. E foi aplaudido de pé no final.

Sempre me lembro dessa história quando ouço falar de educação executiva, MBAs, e coisas afins. Porque ela ilustra os dois lados da moeda de um título desses. Por um lado ele é um investimento, um ativo, algo que ninguém lhe tirará nunca mais. Por outro, ele não necessariamente o difere dos que não o tem.

Pela minha formação, eu acredito muito no poder da informação e da pesquisa. Acho que estudar a fundo e cientificamente o que fazemos é totalmente válido. Na área de administração então, a diferença entre quem tem formação e quem cai de pára-quedas é gritante. A discussão sobre se é possível ensinar alguém a ser um bom executivo é bem mais embaixo, mas sinceramente não acho que esse seja o foco da maior parte dos programas. O resultado final da formação depende muito mais do aluno do que da escola nesse caso.

Mas vamos falar honestamente sobre esse mercado de MBAs no Brasil: tem muita picaretagem por aí. Para começar, a maior parte dos ditos “MBAs” no Brasil são cursos de especialização, e não mestrados. Não tenho problema com cursos de especialização, é mais um nível de pós-graduação, tão válido quanto qualquer outro. Mas bananas não são laranjas. Mesmo perdoando esse “deslize taxonômico”, existem cursos e cursos de especialização na área de administração por aí. Temos excelentes escolas com excelentes metodologias e docentes / palestrantes. E temos o resto. Isso não acontece só no Brasil não. Embora a imensa maioria dos melhores cursos de pós-graduação em administração do planeta esteja nos Estados Unidos e na Europa, existe muita porcaria por lá também.

Mas afinal, vale à pena fazer um MBA? Ou, de maneira mais genérica, vale à pena fazer uma pós-graduação em administração?

O meu senso consultor me faz responder “depende”. Obviamente depende dos seus interesses, do seu plano de carreira, de quanto você quer investir em si mesmo. Mas eu diria que de uma maneira geral sim, vale à pena. Pelas seguintes razões:

1 - Networking: Com sorte, você não caiu em um dos cursos picaretas que falei anteriormente. Nesse caso o processo seletivo colocou você entre colegas com uma experiência riquíssima, talvez de maior valor do que o conhecimento que você encontrará nos livros. Não desconsidere os contatos que podem ser feitos em um curso desses.

2 - Ferramentas: Por mais básico que seja, esses cursos tendem a fornecer um conjunto mínimo de ferramentas que fazem uma enorme diferença na administração do dia-a-dia de um negócio. Se você saiu do curso sem saber fazer um bom Pareto por exemplo, preocupe-se.

3 - Pensamento estruturado: Novamente, com sorte, você vai ter entrado em um curso que será capaz de lhe re-ensinar a pensar. Pensamento estruturado e analítico é uma capacidade que tenho visto em cada vez menos gerentes.

4 - Tempo e incentivo para ler: Dizem que uma maneira de substituir um curso desses é ler e absorver uns 40 ou 50 livros nas principais áreas da administração. Não sei se eu concordo muito, porque para mim o cara que faz um curso desses tem que ler quase essa quantidade de informações de qualquer forma. A diferença é que ele terá tempo (será mesmo?) e incentivo para fazer isso de forma organizada.

Obviamente, se você tiver condições de ingressar em um dos 30 melhores programas de administração do planeta, não sou eu quem vai questionar a validade ou não disso (validade, custo-benefício é outra coisa). Mas se você não está com essa bola toda, e principalmente se não tem certeza de que o momento é o melhor, ou a escola é a melhor, pense 2, 3, 4 vezes. O modismo vinculado a esse tipo de curso anda em alta, principalmente no Brasil. Não pense que as empresas não sabem disso.

Artigo por Reggie
Publicado originalmente no blog

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