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De volta à escola

Muito se fala em educação para a vida toda. Sem ela não se arruma emprego ou se perde o que se tem. Saiba em que cursos não é futilidade gastar em cada fase da carreira.

“É um erro fazer qualquer curso sem ter a certeza de que ele se encaixa em seu projeto profissional e até em seu projeto de vida”, diz Vicky Bloch, sócia da DBM no Brasil, braço nacional de uma das principais empresas de recolocação de executivos do mundo. VEJA ouviu dezessete especialistas em carreira para ajudar o leitor a evitar o erro apontado por Bloch. Confira a seguir como agir e em que tipo de curso vale a pena investir de acordo com a fase da carreira.

Nessa fase é fundamental que cada um identifique quais são as deficiências que podem atrapalhar seu desenvolvimento e crescimento. “Há pontos essenciais sem os quais um profissional não sobrevive”, diz Luiz Carlos Cabrera, professor da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, e diretor da PMC Amrop, empresa de recolocação de executivos. “Essa é a hora de detectá-los e, principalmente, de corrigi-los.” Quem se matou de estudar inglês, mas nunca pensou que precisasse tanto de espanhol? Precisa fazer apresentações freqüentes, mas não consegue se sair bem? Um curso de oratória pode ser o mais indicado. Para um recém-formado é mais importante adquirir experiência, qualquer uma. Por isso, os cursos acima são indicados. Eles tomam apenas parte do tempo. Uma das mais fortes tentações a evitar nessa fase da vida é o chamado MBA. A sigla, que significa master in business administration (mestrado em administração de empresas), tem seduzido profissionais de diversas áreas. Ele foi criado pelas instituições americanas mais conceituadas do mundo, como Harvard e Stanford, para diferenciar o mestrado tradicional (mais acadêmico) de um curso prático (mais dirigido ao mercado de trabalho). Os MBAs têm um caráter gerencial, ensinam o profissional a ser um generalista. Além disso, seja aqui no Brasil, seja lá fora, são baseados em estudos de casos reais de empresas. Alguém que acabou de entrar no mercado de trabalho não terá bagagem para trocar informações. “Com menos de dois anos de experiência profissional, fazer MBA é desperdício de tempo e dinheiro”, afirma Carlos Diz, headhunter e diretor da Spencer Stuart, empresa de recolocação de executivos.

Em torno dos 30

Chegando perto dos 30 anos, cinco ou seis anos depois de concluída a faculdade, é o momento de fazer uma pós-graduação. Os especialistas são unânimes em afirmar que entre 27 e 32 anos é a fase propícia ao intercâmbio de conhecimentos e também para o profissional decolar na carreira. Mestrados, cursos de especialização e de extensão são indicados.

Agora, sim, é a hora certa para fazer MBA. O crescimento profissional, em diferentes campos de atuação, pode significar um cargo de gerência ou um trabalho de gestão. Isso vale tanto para o administrador de empresas como para um médico que pretenda assumir a direção de um hospital, por exemplo. Daí tanta gente se interessar por essas três letrinhas. Cursos desse tipo proliferaram muito. Antes quem queria fazer um MBA precisava estudar fora do Brasil. Agora muitas escolas nacionais oferecem o programa.

É bom lembrar que, para as pessoas que optaram por não seguir uma carreira executiva nem abrir um negócio próprio, um MBA provavelmente não trará grandes benefícios. Além disso, cursar um MBA significa gastar muito dinheiro. Nas escolas brasileiras mais renomadas, pagam-se entre 6 900 e 46 000 reais, mas o valor pode chegar a 100 000 reais. No exterior, chega a alcançar a cifra de 100 000 dólares, sem contar as despesas com passagem, livros e moradia (mais o fato de que fora do Brasil, como o curso é em período integral, a pessoa ficará até dois anos sem salário). Por isso, é muito importante avaliar se um investimento desse porte vale quanto pesa em seu bolso.

Com a palavra, os profissionais de recursos humanos. “Muita gente acha que o MBA vai ser a grande cartada da vida e que depois dele tudo vai mudar”, afirma Marcelo Santos, vice-presidente de RH do BankBoston. “Mas isso não é verdade.” O curso, que já foi sinônimo de promoções imediatas e salários mais altos, hoje não é, nem mesmo, garantia de emprego. Nas grandes empresas, ao contrário do que muita gente pensa, não é um quesito eliminatório. “O MBA não é pré-requisito de nenhum cargo aqui, mas o curso ajuda muito a complementar conhecimento e ter uma visão ampla de negócios”, afirma Carmen Peres, diretora de RH da IBM.

Mas é claro que ter um MBA é um diferencial, principalmente se for feito fora do Brasil, onde o processo seletivo é bastante difícil e concorrido. Para os caçadores de talentos, esses títulos são uma prova irrefutável de que o profissional passou por uma peneira incomparável, sobreviveu a um pesado esquema de estudo e a um ambiente muito competitivo. A boa notícia é que o mercado também tem visto com bons olhos os cursos de primeira linha no Brasil. “Há ótimas escolas e pode ser vantajoso, pois o profissional não precisa parar de trabalhar por dois anos”, afirma Elaine Saad, da Right Saad Fellipelli, consultoria em recursos humanos.

E, além de pós-graduação, o que fazer nessa etapa da carreira? Palestras e seminários, desde que organizados por profissionais e instituições sérias. Mais do que o conhecimento obtido, esse tipo de programa é importante para adquirir outro diferencial: uma boa rede de contatos (chamada de networking, em inglês). Os cursos de especialização, mais curtos e baratos que os MBAs, também são um bom caminho para a atualização. “Também é importante se aprofundar em assuntos específicos”, diz Santos, do BankBoston.

Depois dos 40 anos

Ninguém deve parar de estudar ou, pelo menos, de se reciclar. Mas uma coisa é certa, segundo os especialistas: fazer cursos de pós-graduação, de especialização ou MBAs nessa fase da carreira é desperdício de dinheiro. A explicação soa cruel, mas é verdadeira. “Se o profissional não decolou até os 40 anos, não adianta investir num MBA, por exemplo, pois ele não decola mais”, diz Augusto Carneiro, diretor da Korn/Ferry, uma das principais multinacionais de recolocação de executivos do mundo. Depois dos 40, investir num curso longo e caro como o MBA só faz sentido se servir, exclusivamente, para satisfazer uma curiosidade intelectual. “Para o mercado, não tem validade alguma”, afirma Carlos Diz, da Spencer Stuart.

Mas há muitas outras formas de se atualizar e de buscar novas áreas de conhecimento. Participar de palestras e seminários curtos é fundamental. “Ao fazer cursos, os profissionais seniores aprendem a linguagem dos jovens, entendem melhor suas ansiedades e desejos, o que facilita muito seu trabalho”, afirma Eduardo Eisler, diretor da Ray & Berndtson. Além de se informar, esse tipo de atividade continua reforçando a rede de contatos.

Essa pode ser a hora mais apropriada para se aventurar num vôo-solo. Afinal, aos 40, é maior a probabilidade de ter conseguido acumular um patrimônio razoável para abrir um negócio próprio ou uma consultoria, por exemplo. Há também muitos profissionais nessa fase que começam a se preparar para o que os especialistas chamam de segunda carreira. “Fazer um curso no terceiro setor, trabalhar numa ONG pode ser um bom negócio”, diz Elaine Saad.

Artigo por Daniela D’Ambrosio
Publicado em

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  1. 1 Em 11 Maio, 2010, Getúlio Rodrigues pires disse:

    Prezados senhores, boa noite.

    Creio que o Sr. Augusto Carneiro da Korn/Ferry, esta equivocado na sua opinião : ” Depois dos 40 não decola mais… “.

    É preciso avaliar vários aspectos antes de fazer uma afirmação definitiva como esta.

    a seguir, menciono apenas dois:

    1- O mercado corporativo não esta restrito as multinacionais ou empresas de grande porte. Ao contrário, nossa economia é movida principalmente pelas médias e pequenas empresas.

    2- Neste mercado,a ausência de profissionais experientes e qualificados é muito grande.

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