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Como aproveitar melhor o seu curso de MBA
Envolvimento da empresa, apoio da família, ampliação da rede de relacionamentos. Essas são apenas algumas dicas do que fazer para que o investimento no MBA compense.
Para tirar o melhor proveito de um MBA não basta escolher um bom curso de uma boa escola. É preciso muito esforço e dedicação para que o investimento valha à pena. O MBA é por natureza um curso de caráter prático-profissional. Em outras palavras, trata-se de um curso que tem como principal objetivo tornar seus alunos capazes de colocar em prática os conceitos teóricos nos diversos ramos da gestão. Portanto, quem pensa em fazer um curso desses apenas pelo título que ele concede é melhor desistir. Embora isso possa ajudar a conseguir um emprego, não garante a sua manutenção se não estiver fundamentado em conhecimentos efetivos em sua área.
Com isto em mente, um aluno de MBA deve relacionar os conteúdos discutidos e analisados em sala de aula com as atividades profissionais do cotidiano e da realidade empresarial e institucional que vive. Por isso, é importante que ele esteja atuando no mercado de trabalho para que seu aproveitamento seja mais efetivo. Não menos importante é o envolvimento da empresa em que ele trabalha. “Isso é fundamental, porque ela também vai colher frutos da melhoria de performance e lucidez do seu funcionário”, diz Alberto José Marques Mancilha, coordenador de cursos de pós-graduação do MBA da Strong/FGV, de Santo André.
Não são todas as empresas que se envolvem, no entanto. Muitas instituições têm a cultura do aproveitamento deste tipo de qualificação de seus funcionários. Mas muitas outras ainda possuem um ambiente de boicote às iniciativas de qualificação que possam representar riscos profissionais para colegas ou superiores. Nesse caso, entretanto, não adianta sair chutando a porta. “É preciso fazer alguma coisa, mas sempre com bom senso e diplomacia”, aconselha Valdemir Correia Néri, diretor da Unisa Business School. “Se não há valorização e a pessoa pensa em ir muito longe, deve começar a procurar outra empresa.”
Mancilha também recomenda cautela nessa hora. “Caso a empresa não se envolva o profissional deve comunicar a ela, por intermédio de seu superior imediato, que está cursando o MBA Executivo”, recomenda. “Desta forma, cria-se um clima saudável que demonstra que ele está aprimorando os seus conhecimentos, apresentando alternativas de aplicação prática das informações adquiridas e resultados alcançados.”
Para ele, o primeiro e fundamental fator para se cursar um MBA ainda é o emprego ou a ocupação. “O segundo é que todos devemos nos comportar como fornecedores de trabalho”, ensina. “Não importa o cliente.” Por último, Mancilha diz que é necessário aprender tudo de novo. “E que não se espere ajuda externa”, alerta. “As empresas estão preocupadas em sobreviver num mundo globalizado e hipercompetitivo. Nele, o importante é a produtividade. Tampouco os governos podem ajudar. Suas ações estarão voltadas para os problemas sociais provocados pela massa desempregada, não para os que ainda têm trabalho. Devemos agir individualmente em nosso próprio benefício.”
Alicerces de ouro
Ao lado da empresa, o apoio da família é outro aspecto importante e o aluno de MBA deve lutar para obtê-lo. Ele deve procurar sensibilizar a família de que o período do curso é muito importante para as suas pretensões e planos futuros e buscar o apoio dela para os momentos de ausência e sacrifício. “O apoio da família é importante e fundamental, porque algumas atividades junto com ela vão ficar em um segundo plano e as prioridades vão ser alteradas”, diz Mancilha. “Os familiares devem levar em conta que o crescimento das pessoas quando fazem um curso desses é notório, elas ficam melhores. O sucesso não é só profissional, mas também é interpessoal e intrapessoal.”
Obtido o apoio da empresa e da família, o aluno também deve fazer sua parte. Para começar, ele deve ler muito, procurar aplicar ao máximo os conhecimentos obtidos e ampliar sua rede de relacionamentos (networking). “Ler e interagir com os conteúdos são pressupostos indispensáveis para um melhor aproveitamento do curso”, diz Néri. “Esta interatividade com os conhecimentos expostos num MBA pode ocorrer por meio da comparação com o que é praticado na empresa, de discussão com colegas de outras instituições e de diálogos com os docentes, incluindo trocas de e-mails.”
Mancilha, da Strong/FGV lembra que o MBA é um projeto de vida, tem duração por volta de dois anos e exige dedicação. “Para maior fixação do conteúdo e aproveitamento dos alunos é recomendável estudar por conta própria no mínimo o tempo equivalente à carga horária presencial das aulas”, ensina. “Quem faz um curso desses deve trazer para a sala de aula as suas dificuldades do dia-a-dia e tentar colocar em prática os conceitos adquiridos.”
Além disso, modernamente, recomenda-se a chefes e dirigentes dedicarem-se ao aprendizado da liderança como um esforço individual de enriquecer a própria experiência. Segundo Mancilha, dirigentes devem adotar a perspectiva de conhecer, ouvir e prestar atenção à opinião e à experiência de outros; ampliar os horizontes mentais participando, lendo e conversando não só sobre assuntos diretamente relacionados ao trabalho, mas também outros temas capazes de provocar a curiosidade e ajudar a desenvolver a perspectiva globalista e de interdependência dos problemas administrativos. É preciso, ainda, avaliar a própria experiência, para retirar dela ensinamentos tão ou mais preciosos do que os aprendidos nos textos e na experiência alheia.
O networking é outra questão que não deve ser negligenciada por quem faz um MBA. Ele é a base de qualquer negócio nas relações humanas. “Um dos maiores valores de um MBA, depois dos conhecimentos obtidos, está na rede de relacionamentos de negócios e profissionais, em geral, que um aluno pode estabelecer”, diz Néri. “Ele deve aproveitar esta oportunidade desde o início do curso.”
Para Mancilha, o networking em MBA é mais maduro. “Ele visa além do QI, Quociente de Indicação, para novas oportunidades de trabalho, o aumento da produtividade do aluno/profissional através da troca de experiências”, explica. “O networking é mais adequado para o grupo de profissionais que estão inseridos no mesmo contexto, de maturidade profissional, de interesses de crescimento nas carreiras e nível diferenciado de experiências profissionais, de conhecimento e de vida.”
Em suma, para os especialistas, a diferença entre ser bem sucedido num curso de MBA e ser um fracasso está no aproveitamento prático que o aluno faz de seu curso. “Ele precisa sentir que teve um efetivo crescimento pessoal”, diz Néri. “Mas, acima de tudo, o profissional com MBA deve ser capaz de exteriorizar este crescimento na prática.”
Mancilha, por sua vez, lista uma série de atitudes que podem levar ao fracasso e outras ao sucesso. “No primeiro caso, estão não ter metas para atingir, estudar somente para passar nas disciplinas, não fazer um link com a prática, fazer leituras dinâmicas e somente a sua parte nos exercícios em grupo”, enumera. “No segundo, estão os planos e o planejamento estratégico da carreira, dedicação e disciplina nos estudos, aplicação prática dos conhecimentos adquiridos, leitura da bibliografia recomendada para maior aprofundamento, interação com os componentes das turmas e professores e participação efetiva dos trabalhos em grupo.”
Artigo retirado do
Publicado originalmente na Revista Após
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